A raÌpida passagem de Oscar Schmidt pela poliÌtica: queria ser presidente
17 de abril de 2026
Jogador foi derrotado por Eduardo Suplicy (PT) em tentativa de eleição para o Senado
Muito antes de se tornar uma lenda definitiva do basquete, Oscar Schmidt acalentou um sonho ambicioso que passava longe das quadras: a Presidência da República. Essa aspiração o levou a uma breve, porém intensa, incursão pela política brasileira no final da década de 1990. A sua jornada começou formalmente após retornar ao Brasil, depois de uma carreira de 13 anos na Europa, onde a ideia de governar o país foi sendo maturada. Em entrevistas posteriores, ele confessaria que via a carreira política como o próximo grande passo de sua vida, com o Palácio do Planalto como objetivo final.
O primeiro movimento nesse novo tabuleiro foi um cargo no poder executivo. Em 1997, a convite do então prefeito de São Paulo, Celso Pitta, Oscar assumiu a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação. A passagem pela pasta foi curta, durando pouco mais de um ano, e serviu como uma plataforma de lançamento para um projeto maior. Deixou o cargo em 1998 com o objetivo claro de disputar uma das vagas mais concorridas do legislativo nacional, um passo que considerava estratégico em sua escalada política.
Apoiado por figuras proeminentes da política paulista, como o ex-governador Paulo Maluf, e filiado ao então Partido Progressista Brasileiro (PPB), Oscar Schmidt lançou-se candidato ao Senado por São Paulo nas eleições de 1998. A campanha, que contou com a assessoria do marqueteiro Duda Mendonça, explorou a imensa popularidade do "Mão Santa". A disputa era acirrada, com apenas uma cadeira em jogo, e seu principal adversário era o experiente político Eduardo Suplicy, do Partido dos Trabalhadores (PT), que buscava a reeleição.
A eleição se mostrou um verdadeiro teste para o carisma do ídolo do esporte. Oscar obteve uma votação expressiva, conquistando a confiança de 5,75 milhões de eleitores, o que representou quase 37% dos votos válidos. Apesar do número impressionante, não foi o suficiente para superar seu oponente. Eduardo Suplicy foi reeleito com 6,71 milhões de votos, ou 43,1% do total, pondo um fim rápido ao projeto de Oscar de chegar ao Congresso.
Após a derrota, Oscar Schmidt abandonou a carreira política e não voltou a disputar cargos eletivos. Anos depois, ele refletiu sobre a experiência com um sentimento de alívio, chegando a afirmar que foi "ainda bem que eu perdi". Ele demonstrou desilusão com o sistema político, declarando que não era um ambiente para quem, como ele, tinha algo a perder em termos de reputação. Assim, o arremesso que o levaria à Presidência não caiu, e o Brasil conheceu apenas a faceta de Oscar Schmidt como um dos maiores atletas de sua história.
Source: veja_abril_br