Declaração de vitória de Trump sobre o Irão ecoa o infame 'missão cumprida' de Bush
17 de abril de 2026
Donald Trump declarou uma vitória decisiva contra o Irão. No entanto, as suas alegações estão a ser recebidas com ceticismo. Muitos comparam o anúncio ao infame discurso de 'missão cumprida' de George W. Bush.
Em várias publicações nas redes sociais esta sexta-feira, o presidente Donald Trump declarou uma vitória decisiva no conflito com o Irão. As declarações geraram comparações imediatas com o infame discurso de "missão cumprida" do presidente George W. Bush. A declaração de vitória de Trump surge após um ataque militar ao Irão. A ofensiva começou há cerca de seis semanas e foi alvo de fortes críticas internacionais. Nas suas alegações, publicadas na sua rede social Truth Social, ele afirmou que todos os principais impasses para as negociações de paz foram resolvidos. As declarações surgem numa altura em que as negociações devem ser retomadas em Islamabad.
O contexto para a ostentação de Trump é um período volátil. A situação escalou a 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques em grande escala contra alvos militares e a liderança do Irão. Esses ataques resultaram na morte do líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei. Teerão retaliou com ataques a instalações dos EUA e a Israel. Mais grave ainda, fechou o Estreito de Ormuz, um canal vital para o fornecimento global de energia. O fecho interrompeu cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo. Isso provocou uma subida acentuada nos preços da energia e receios de uma recessão mundial.
Nas suas mensagens nas redes sociais, Trump proclamou: "Um dia grande e brilhante para o mundo." Ele alegou especificamente que o Estreito de Ormuz seria reaberto. Afirmou também que o Irão concordou em nunca mais usar o controlo da via navegável como uma ferramenta militar. Além disso, afirmou que o Irão suspenderia por tempo indeterminado o seu programa nuclear. O país também renunciaria ao seu direito de enriquecer urânio, um ponto de discórdia de longa data. O presidente declarou ainda que os EUA iriam obter todo o material nuclear dos locais bombardeados pelos americanos. E acrescentou: "Nenhum dinheiro irá trocar de mãos, de nenhuma forma ou feitio."
O tom triunfante evocou memórias de 1 de maio de 2003. Nessa data, o presidente Bush declarou o fim das principais operações de combate no Iraque a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, sob uma faixa que dizia "Missão Cumprida". Essa declaração foi seguida por uma insurgência longa e dispendiosa. Esta insurgência resultou na grande maioria das baixas americanas e civis da guerra. Desde então, o discurso tornou-se um símbolo político para uma declaração de sucesso prematura e, em última análise, incorreta. Os críticos da Guerra do Iraque apontam o discurso como um símbolo da perceção irrealista de um governo sobre um conflito.
Analistas e autoridades de países aliados expressaram ceticismo sobre o caráter definitivo da situação atual com o Irão. O regime islâmico continua no poder, o que pode ser considerado uma vitória para Teerão, dada a desproporção militar. A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, descreveu a guerra como um "erro" que desestabilizou a economia global. Ela questionou se o mundo está mais seguro do que estava há algumas semanas. Embora o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão tenha anunciado que o estreito estava "completamente aberto", ele associou essa condição a um frágil cessar-fogo de 10 dias no Líbano. No Líbano, o conflito com o Hezbollah, um grupo apoiado pelo Irão, tinha recomeçado. Isto sugere que qualquer resolução é frágil e pode ruir. Tal colapso poderia mergulhar novamente a região e a economia global numa crise.
Source: theguardian