Mulher turca detida em Israel volta para casa após pedido de Trump

17 de abril de 2026

Mulher turca detida em Israel volta para casa após pedido de Trump

Uma mulher turca foi detida em Israel e acusada de ajudar o Hamas. O seu caso tornou-se uma crise diplomática, com intervenção dos EUA e da Turquia. Ela acabou por ser libertada e enviada de volta para casa.

Uma mulher turca que se tornou o foco de diplomacia de alto nível envolvendo os Estados Unidos regressou à sua casa na Turquia. Ela esteve detida em Israel por mais de um mês. Ebru Ozkan, de 27 anos, foi presa em junho de 2018 no Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. A suspeita era de que ela tinha ligações a grupos terroristas. Mais tarde, foi acusada formalmente de ajudar o Hamas. As acusações incluíam o contrabando de dinheiro e outros bens para a Cisjordânia. O seu caso escalou rapidamente, atraindo a atenção tanto do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, como do então presidente dos EUA, Donald Trump. Tudo isto aconteceu num contexto de relações muito tensas entre a Turquia e Israel.

Ozkan foi detida a 11 de junho de 2018, enquanto se preparava para voar de volta para Istambul. Ela tinha feito uma visita de três dias a Jerusalém. A sua família disse que a viagem era de turismo e para visitar a Mesquita de Al-Aqsa. Durante a visita, as autoridades israelitas acusaram-na de representar uma ameaça à segurança nacional. A acusação formal contra ela incluía o contrabando de cinco frascos de perfume para serem vendidos para financiar o Hamas. Também foi acusada de levar 500 dólares e um carregador de telemóvel para um membro do grupo. O seu advogado e a família negaram veementemente as alegações. Chamaram à sua detenção "arbitrária" e às acusações "infundadas". A sua irmã afirmou que Ozkan não era uma pessoa política e que só tinha levado coisas como balões e doces para crianças.

O caso desenrolou-se durante um período de grande tensão diplomática. Apenas um mês antes da detenção de Ozkan, a Turquia tinha expulsado o embaixador de Israel. A expulsão foi uma resposta à morte de manifestantes palestinianos em Gaza. As autoridades turcas reagiram com firmeza à detenção de Ozkan. Entre elas estava o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu. Ele prometeu "retaliar" e acusou Israel de tomar "medidas dissuasoras" contra cidadãos turcos que visitavam Jerusalém. O caso ganhou ainda mais atenção internacional quando foi noticiado que o presidente Trump tinha pedido pessoalmente ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para libertar Ozkan. Este pedido fazia alegadamente parte de um acordo mais amplo, embora oficialmente negado. O acordo estaria ligado à detenção na Turquia do pastor americano Andrew Brunson.

Após uma série de audiências num tribunal militar israelita, Ozkan foi libertada sob fiança em meados de julho de 2018. O seu advogado tinha contestado os procedimentos. Os procuradores israelitas opuseram-se inicialmente, mas a decisão foi mantida. Pouco depois, a proibição de viajar foi levantada, o seu passaporte foi devolvido e ela foi deportada de Israel. O processo legal contra ela foi alegadamente suspenso. À sua chegada a Istambul, Ozkan agradeceu ao presidente Erdogan pelo seu interesse pessoal no caso. Mais tarde, uma autoridade israelita confirmou que o presidente Trump tinha de facto feito um pedido para a sua libertação.

A resolução do caso de Ozkan foi vista na altura como um passo potencial, ainda que pequeno, na gestão da complexa relação triangular entre os Estados Unidos, a Turquia e Israel. No entanto, as questões de fundo permaneceram pontos de atrito significativos. Estas incluíam o destino do pastor Brunson, que levou a sanções dos EUA contra a Turquia, e os desentendimentos mais amplos sobre as políticas para a Síria e a Palestina. Na época, os analistas consideraram que as manobras diplomáticas em torno da libertação de Ozkan indicavam a natureza transacional das relações internacionais sob a administração Trump. Nela, as intervenções pessoais podiam sobrepor-se aos processos legais e diplomáticos normais. O episódio realçou as tensões profundas e a natureza frágil das alianças na região.

Source: washingtontimes

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The World Dispatch

Source: World News API