'Sabemos quem perde': em Teerã, o medo de que a trégua não dure

17 de abril de 2026

'Sabemos quem perde': em Teerã, o medo de que a trégua não dure

Iranianos voltam para uma cidade em ruínas e uma economia destruída. A ansiedade aumenta com a aproximação do fim do cessar-fogo. Muitos temem que a paz frágil não vá durar.

Uma calma frágil se instalou em Teerã, mas as profundas cicatrizes da guerra continuam na paisagem da cidade. Nos dias seguintes a um cessar-fogo temporário que começou em 8 de abril, os moradores que fugiram de semanas de bombardeios estão voltando aos poucos. Eles retornam a uma capital desfigurada pelo conflito. Prédios bombardeados são monumentos sombrios e escombros ainda cobrem muitas ruas. A pausa nas hostilidades trocou o som das explosões por uma ansiedade palpável. O prazo da trégua se aproxima e cresce o medo de que a paz frágil não dure. Para muitos, a volta para casa não é o fim do sofrimento, mas o início de encarar a perda imensa.

O conflito começou em 28 de fevereiro de 2026. Houve uma série de ataques aéreos intensos dos Estados Unidos e de Israel. Os alvos eram instalações militares, governamentais e de infraestrutura em todo o país. O Irã respondeu lançando mísseis contra Israel e alvos americanos na região. O país também interrompeu o comércio global ao fechar a rota marítima do Estreito de Ormuz. As semanas seguintes tiveram ataques devastadores que deixaram milhares de civis mortos. Isso criou uma enorme crise humanitária. Agências das Nações Unidas relataram que milhões de pessoas foram deslocadas dentro do país. Um número significativo era de Teerã, pois os ataques aéreos danificaram ou destruíram dezenas de milhares de casas, escolas e hospitais.

Para quem agora circula pela cidade em ruínas, os desafios vão muito além da destruição física. Moradores descrevem uma economia em caos e uma grave crise de custo de vida. Os preços de produtos essenciais, como alimentos e remédios, dispararam. O governo iraniano impôs um blecaute quase total da internet, que já dura mais de um mês. Isso cortou as conexões com o mundo exterior e destruiu o sustento de muitos que dependiam do trabalho online. O clima na capital continua tenso e fortemente vigiado pelas forças de segurança, o que aumenta o fardo psicológico. "Eu não sei quem está ganhando esta guerra, mas nós sabemos quem está perdendo", disse um morador chamado Arash a um repórter. "Somos nós, os iranianos comuns."

A atual pausa nos combates é precária e foi costurada por acordos separados. Uma trégua de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, mediada pelo Paquistão, está prestes a expirar. Mais recentemente, um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Hezbollah entrou em vigor no Líbano. Um ponto central das negociações entre EUA e Irã foi a reabertura do Estreito de Ormuz. Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã anunciou que a rota marítima estava "completamente aberta" durante a trégua. A medida foi bem recebida pelos EUA, mas teve sinais conflitantes de membros da linha-dura da Guarda Revolucionária do Irã. Essa divisão interna destaca a instabilidade dos acordos diplomáticos atuais.

Com o tempo se esgotando para o cessar-fogo, o futuro dos habitantes de Teerã é muito incerto. Os Estados Unidos sinalizaram que não vão estender a trégua sem um acordo "abrangente e completo". O país também manteve um bloqueio naval nos portos iranianos para exercer pressão. Enquanto a mídia estatal iraniana divulga reparos rápidos em infraestruturas como ferrovias, os moradores precisam juntar os cacos de suas casas e vidas destruídas. Esse é um processo que deve levar anos. Eles esperam em um limbo doloroso, presos entre um presente em ruínas e a possibilidade aterrorizante de que as bombas voltem a cair em breve.

Source: irishtimes

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The World Dispatch

Source: World News API