Papa Leão XIV ataca distribuição desigual da riqueza perante 120.000 pessoas nos Camarões
17 de abril de 2026
O Papa Leão XIV criticou abertamente a distribuição desigual da riqueza. A mensagem foi feita durante uma missa nos Camarões que reuniu mais de 100.000 pessoas na sexta-feira.
O Papa Leão XIV foi recebido por uma multidão exuberante de 120.000 pessoas em Douala, a capital económica dos Camarões. Ali, fez uma forte crítica à distribuição injusta da riqueza global e local. Falando durante uma missa no parque de estacionamento do Estádio Japoma, o pontífice abordou o paradoxo da pobreza generalizada numa terra rica em recursos. A visita à vibrante cidade portuária foi um momento central na sua digressão por várias nações africanas. O seu foco mudou dos temas de paz e reconciliação, que abordou no início da semana, para a dura realidade da desigualdade económica. Milhares de fiéis alegres alinharam-se nas ruas desde o aeroporto, aplaudindo a sua comitiva debaixo de um calor sufocante. Muitos dançaram ao som de tambores no início da celebração litúrgica.
A paragem nos Camarões é uma parte central de uma viagem apostólica de 11 dias por África. A viagem foi concebida para destacar a crescente importância do continente para a Igreja Católica global e para abordar os seus desafios urgentes. Antes de chegar a Douala, o Papa teve um encontro muito emotivo e importante pela paz em Bamenda. Esta é o coração da região anglófona do país, marcada por conflitos. Ali, ele condenou a violência que traumatiza a área há quase uma década. Esta missão mais ampla pela paz tem sido um fio condutor do seu pontificado. Mas a sua mensagem em Douala visou diretamente as estruturas económicas que alimentam a instabilidade social e o sofrimento. A digressão africana começou na Argélia e continuará em Angola. Observadores do Vaticano consideram-na um esforço para virar a atenção do mundo para as complexidades do continente.
Na sua homilia, o Papa Leão XIV usou a história do Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes. Ele usou-a como uma metáfora poderosa para os recursos do mundo. Ele argumentou que há o suficiente para todos. Para isso, os bens devem ser partilhados com generosidade, e não tomados com ganância. O Papa desafiou os fiéis, bem como os responsáveis sociais e políticos, a enfrentar a fome e a privação à sua volta. Esta mensagem está profundamente enraizada na doutrina social católica. Esta doutrina enfatiza a justiça distributiva e ensina há muito que a riqueza excedente pertence, por direito, a quem não tem o básico. Ele descreveu a falha em partilhar como uma injustiça. Este é um tema que ele tem sublinhado ao longo do primeiro ano do seu pontificado.
As palavras do Papa tiveram um peso especial nos Camarões. É uma nação rica em recursos naturais como petróleo, madeira e minerais. No entanto, quase 40% da população vive abaixo do limiar da pobreza. O crescimento económico não se traduziu em prosperidade partilhada. Além disso, a corrupção afeta o país há muito tempo, impedindo que a sua riqueza beneficie a população em geral. Embora o pontífice se tenha encontrado com o Presidente Paul Biya, no poder desde 1982, as suas declarações públicas foram um desafio implícito à elite política e económica. A mensagem ecoou numa nação onde a desigualdade é gritante. Muitos jovens veem poucas oportunidades, uma realidade que alimenta tanto as tensões internas como a migração.
Enquanto o Papa Leão XIV se prepara para partir para Angola, onde persistem problemas semelhantes de gestão de recursos e pobreza, o seu apelo à ação nos Camarões continua a ecoar. Ele pediu especificamente aos jovens do país que resistam ao desespero. Pediu-lhes que se tornem agentes de mudança, trabalhando para construir uma sociedade mais justa e íntegra a partir de dentro. Ele encarregou-os de se tornarem uma "voz profética" para um novo mundo. Devem transformar o seu país combatendo a corrupção e trabalhando para o bem comum. A visita não só proporcionou um alento espiritual. Também colocou os holofotes do mundo sobre os profundos desafios económicos que devem ser enfrentados para garantir uma paz duradoura e justa na região.
Source: nbcnews