PoliÌcia de GoiaÌs investiga golpe milionaÌrio em herança de idosa
17 de abril de 2026
A PoliÌcia Civil de GoiaÌs investiga em FirminoÌpolis um esquema de exploração financeira e estelionato na administração de uma herança familiar. Leia mais (04/17/2026 - 02h14)
A Polícia Civil de Goiás está aprofundando as investigações sobre um complexo esquema de fraude que pode ter resultado no desvio de até 37 milhões de reais da herança de uma idosa no município de Firminópolis. A apuração, batizada de Operação Milionários Infiéis, foca na gestão do património familiar e tem como principal suspeito o neto da vítima, que era o responsável por administrar os bens. A investigação foi iniciada após a denúncia de uma das filhas da idosa, que desconfiou de irregularidades na condução dos negócios após o falecimento da mãe em 2024.
O início da suposta fraude remonta a 2009, quando o avô do suspeito faleceu e ele assumiu o controlo financeiro dos bens da avó. Ao longo de mais de uma década, o zootecnista Fabiano Pedrosa Leão geriu os negócios agrícolas e o património de Angélica Gonçalves Pedrosa. As autoridades apontam que a vítima era semianalfabeta e não tinha conhecimentos digitais, o que a deixava dependente de terceiros para realizar operações financeiras e pode ter facilitado a exploração da sua vulnerabilidade. Os indícios de crime ganharam força quando familiares, após a morte da matriarca, notaram movimentações financeiras suspeitas, incluindo um saque de aproximadamente 1,4 milhão de reais poucos dias após o seu falecimento.
A investigação, conduzida em conjunto pela Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (Deai) de Goiânia e pela Delegacia de Polícia de Firminópolis, culminou no início desta semana com o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Durante a operação, o principal investigado foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, tendo sido posteriormente libertado após o pagamento de fiança. Além da prisão, a Justiça determinou o bloqueio de mais de 30 milhões de reais em bens dos investigados, como forma de garantir um eventual ressarcimento dos prejuízos. Documentos e dispositivos eletrónicos foram apreendidos para análise pericial.
Além do neto, a mãe dele e filha da vítima, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, também é investigada por envolvimento no caso. Ambos foram nomeados inventariantes após a morte da idosa, ficando responsáveis pela organização e partilha do património. O delegado responsável pelo caso, Alexandre Bruno de Barros, afirmou que a investigação demonstrou que a divisão dos bens não foi realizada de forma justa pelos investigados. As autoridades apuram ainda a possível participação de funcionários de agências bancárias e de cartórios no esquema fraudulento.
Com a investigação em fase final, o caso será em breve encaminhado ao Poder Judiciário para a responsabilização criminal dos envolvidos pelos crimes de exploração financeira e estelionato qualificado. O suspeito alega que as movimentações financeiras foram para quitar dívidas do inventário e que os valores foram partilhados entre os herdeiros, mas, segundo a polícia, ainda não apresentou provas que confirmem a sua versão. Este caso destaca a crescente preocupação com crimes financeiros contra a população idosa, um grupo frequentemente alvo de golpes que envolvem abuso de confiança, especialmente no seio familiar.
Source: folha