Candidato de ultradireita no Peru oferece R$ 29 mil por provas de fraude eleitoral
16 de abril de 2026
Rafael LoÌpez Aliaga, que logo retirou a recompensa, estaÌ 7 mil votos atraÌs do esquerdista Roberto SaÌnchez para avançar ao segundo turno
Numa escalada da tensão pós-eleitoral no Peru, o candidato de ultradireita Rafael López Aliaga, do partido Renovação Popular, ofereceu uma recompensa de 20 mil soles peruanos, o equivalente a cerca de 29 mil reais, por provas que comprovem uma suposta fraude na apuração dos votos. A oferta foi dirigida publicamente a funcionários dos órgãos eleitorais do país, como a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) e o Júri Nacional de Eleições (JNE), prometendo confidencialidade absoluta em troca de informações. A medida drástica foi anunciada após a contagem de votos do primeiro turno, realizado no domingo, dia 12, mostrar uma reviravolta que o tirou da zona de classificação para o segundo turno.
O anúncio de López Aliaga intensifica o clima de instabilidade que marca o cenário político peruano. O candidato, que chegou a ocupar a segunda posição durante a apuração inicial dos votos, viu sua colocação cair para terceiro lugar, sendo ultrapassado pelo candidato de esquerda Roberto Sánchez. Com a apuração avançada, a diferença entre os dois é mínima, tornando a disputa por uma vaga no segundo turno contra a candidata Keiko Fujimori, que lidera a contagem, extremamente acirrada. Aliaga tem convocado protestos e questionado a lisura do processo, exigindo a anulação do pleito.
As autoridades eleitorais peruanas e observadores internacionais refutaram as acusações de irregularidades sistêmicas. O Júri Nacional de Eleições tem defendido a transparência do processo, enquanto missões de observação, como a da União Europeia, afirmaram não ter encontrado evidências de fraude. A postura de López Aliaga de deslegitimar o processo eleitoral antes mesmo de sua conclusão foi criticada por oponentes, que pedem responsabilidade e a apresentação de provas concretas em vez de alegações infundadas que podem gerar mais caos no país.
Este episódio evoca memórias da acirrada eleição de 2021, quando a candidata Keiko Fujimori também alegou fraude, sem apresentar provas conclusivas, após ser derrotada por Pedro Castillo. Naquela ocasião, as alegações foram rejeitadas pelas autoridades peruanas e por observadores internacionais, mas contribuíram para aprofundar a polarização política. A recorrência de tais acusações evidencia a frágil confiança nas instituições democráticas do Peru, um país que enfrentou uma severa crise política na última década, com múltiplos presidentes destituídos ou renunciando em meio a escândalos de corrupção e instabilidade governamental.
Os próximos passos dependem da conclusão da contagem oficial e da proclamação dos resultados finais pelo JNE, que agora ocorre sob forte pressão. A estratégia de López Aliaga pode resultar em uma longa batalha jurídica para contestar as atas de votação, similar ao que ocorreu em 2021, retardando a definição do segundo turno e aumentando a incerteza política. A principal preocupação é que a retórica inflamada incite manifestações e desordem social, aprofundando as divisões em uma sociedade já marcada pela fragmentação e pela desconfiança na classe política.
Source: veja_abril_br