Sob ameaça de Trump, presidente de Cuba diz estar ‘pronto’ para guerra
16 de abril de 2026
Miguel DiÌaz-Canel afirma que paiÌs enfrentaraÌ qualquer agressão, enquanto tensão com os EUA se intensifica
Numa declaração que eleva drasticamente a tensão entre Havana e Washington, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o seu país está “pronto” para uma eventual agressão militar por parte dos Estados Unidos. A fala do líder cubano é uma resposta direta à crescente pressão e às ameaças proferidas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que retomou uma política de confronto direto com a ilha. Durante um discurso que assinalou o 65º aniversário da fracassada invasão da Baía dos Porcos, Díaz-Canel instou os seus compatriotas a prepararem-se para a guerra, embora tenha ressalvado que não a deseja. "É nosso dever prepararmos-nos para a evitar e, se for inevitável, vencê-la", assegurou o presidente, sublinhando um momento que descreveu como "absolutamente desafiador" para a nação.
A retórica belicista surge num contexto de asfixia económica e diplomática promovida pela atual administração da Casa Branca. Desde que regressou ao poder, Trump intensificou as sanções que já tinham sido endurecidas durante o seu primeiro mandato, revertendo a política de aproximação iniciada por Barack Obama. Nos últimos meses, Washington impôs um bloqueio petrolífero que paralisou setores cruciais da economia cubana e agravou a crise energética, resultando em apagões prolongados e severas dificuldades para a população. O governo cubano qualifica o embargo, conhecido na ilha como "el bloqueo", de "genocida" e aponta-o como a principal causa da profunda crise que assola o país.
As relações entre os dois países, separadas por apenas 145 quilómetros de mar, vivem o seu momento mais delicado em décadas. O conflito remonta à Revolução Cubana de 1959, tendo sido marcado por mais de 60 anos de um embargo económico, comercial e financeiro. Durante a sua primeira presidência, Trump implementou cerca de 240 novas medidas restritivas que, segundo Havana, causaram prejuízos bilionários e um dano considerável ao nível de vida dos cubanos. A atual escalada de tensões é vista como uma continuação dessa estratégia de "pressão máxima", que visa forçar uma mudança de regime na ilha.
As implicações desta crise transcendem as fronteiras de Cuba, gerando preocupação sobre a estabilidade na região do Caribe e o risco de uma nova crise migratória. A deterioração das condições de vida na ilha, com escassez de alimentos e medicamentos, atinge diretamente as famílias cubanas e alimenta a instabilidade social. Apesar da hostilidade pública, fontes indicam a existência de canais de comunicação secretos entre funcionários dos dois governos, numa tentativa de gerir a crise e evitar um confronto direto, embora sem avanços significativos até ao momento.
O futuro das relações entre os Estados Unidos e Cuba permanece incerto e perigoso. Enquanto a comunidade internacional apela à moderação e ao diálogo, o discurso inflamado de ambos os lados aumenta o risco de um erro de cálculo com consequências devastadoras. A declaração de Díaz-Canel, carregada de simbolismo histórico, reafirma a disposição de Cuba em defender a sua soberania a qualquer custo. A ilha caribenha, mais uma vez no centro de um impasse geopolítico, aguarda os próximos passos de Washington, equilibrando-se entre a resistência e a sobrevivência.
Source: veja_abril_br