Governadora faz acusações contra Fifa após polêmica por preços de trem na Copa do Mundo

16 de abril de 2026

Governadora faz acusações contra Fifa após polêmica por preços de trem na Copa do Mundo

Governadora de Nova Jersey diz que entidade deveria bancar transporte de torcedores; custo pode ser mais de sete vezes maior que o normal

Uma grande controvérsia sobre os custos de transporte para a Copa do Mundo de 2026 eclodiu, colocando a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, em rota de colisão com a Fifa. A polémica centra-se num aumento proposto de mais de 700% nos preços dos bilhetes de comboio para o MetLife Stadium, palco de oito jogos do torneio, incluindo a final. Sherrill acusou publicamente a entidade máxima do futebol de se isentar das suas responsabilidades financeiras, deixando uma fatura de milhões de dólares para as autoridades locais e, potencialmente, para os contribuintes.

O pomo da discórdia é o custo da viagem de comboio entre a Penn Station, em Nova Iorque, e o estádio em Nova Jersey. Atualmente, uma viagem de ida e volta custa cerca de 12,90 dólares. No entanto, os planos em discussão preveem que a tarifa possa ultrapassar os 100 dólares por pessoa nos dias de jogo, o que representa um aumento de aproximadamente 775%. Esta tarifa especial, caso seja confirmada, não teria descontos para idosos ou crianças. A autoridade de transportes local, a New Jersey Transit, estima um custo operacional de 48 milhões de dólares para transportar os adeptos em segurança durante o evento.

A governadora Sherrill declarou que herdou um acordo no qual a Fifa não contribui com "um único dólar" para o transporte, ao mesmo tempo que a organização prevê lucrar cerca de 11 mil milhões de dólares com o torneio. Ela criticou a entidade por cobrar bilhetes para a final que podem chegar a 10.000 dólares, enquanto se recusa a ajudar a financiar a infraestrutura necessária para o seu próprio evento. Sherrill foi enfática ao afirmar que não permitirá que os passageiros e contribuintes de Nova Jersey arquem com esta conta nos próximos anos.

Em resposta às acusações, a Fifa manifestou-se "surpresa" com as declarações públicas, afirmando que os acordos recentes com as cidades-sede não a obrigam a financiar integralmente o transporte dos adeptos. A organização destacou que a sua recomendação era que o transporte fosse disponibilizado "a preço de custo". A polémica sobre os custos de transporte não se limita a Nova Jersey. Na região de Boston, outra cidade-sede, as tarifas de comboio para o Gillette Stadium também deverão aumentar drasticamente, passando de cerca de 20 para 80 dólares.

Este cenário contrasta com edições anteriores da Copa do Mundo, como na Rússia e no Catar, onde os portadores de bilhetes para os jogos tinham acesso a transporte público gratuito. A situação atual nos Estados Unidos gerou uma forte reação política, com o senador Chuck Schumer a classificar a postura da Fifa como "extorsão". O impasse levanta um debate mais amplo sobre quem deve arcar com os custos associados à organização de megaeventos desportivos. Enquanto a decisão final sobre as tarifas ainda é aguardada, a pressão sobre a Fifa e as autoridades locais continua a aumentar, com os adeptos no centro de uma disputa financeira.

Source: veja_abril_br

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The World Dispatch

Source: World News API