AIEA alerta para aumento 'muito preocupante' da capacidade nuclear da Coreia do Norte
15 de abril de 2026
A Coreia do Norte está demonstrando um “aumento muito preocupante” de sua capacidade de produção de armas nucleares, alertou nesta quarta-feira (15) o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi.
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) emitiu um alerta sobre uma expansão significativa e preocupante do programa de armas nucleares da Coreia do Norte. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, durante uma visita a Seul, destacou que foram observados progressos muito significativos e um aumento rápido na atividade de instalações nucleares no país. Estas atividades, que violam as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, indicam um fortalecimento contínuo da capacidade de Pyongyang para produzir material físsil, essencial para o fabrico de armas nucleares.
No centro das preocupações está o principal complexo nuclear do país, em Yongbyon, onde se regista um aumento de atividade em múltiplas instalações. Foram detetados sinais de operação contínua em vários reatores, incluindo o de 5 megawatts, uma unidade de reprocessamento e um reator de água leve (LWR). A descarga de água quente do LWR indica que o reator atingiu um estado crítico de operação, o que é alarmante porque, como qualquer reator, pode produzir plutónio no seu combustível irradiado. Para além de Yongbyon, a agência identificou a possível construção de novas instalações de enriquecimento de urânio, o que sugere uma expansão coordenada e um esforço para diversificar e acelerar a produção de material para armas.
O programa nuclear da Coreia do Norte tem as suas raízes na Guerra Fria e tem sido uma fonte de tensão internacional há décadas. O país foi signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), mas retirou-se em 2003. Desde o seu primeiro teste nuclear em 2006, Pyongyang está sob uma série de sanções da ONU. As negociações diplomáticas, incluindo as conversações a seis, estagnaram e os inspetores da AIEA foram expulsos do país em 2009, o que significa que a agência depende de imagens de satélite e outras informações para monitorizar as atividades nucleares. A ausência de inspeções no local impede a verificação da história do núcleo dos reatores e a confirmação do seu estado operacional.
A expansão contínua do arsenal nuclear norte-coreano, que a AIEA estima já poder contar com dezenas de ogivas, acarreta graves implicações para a segurança regional e global. Aumenta o risco de instabilidade na Península Coreana e pode desencadear uma corrida ao armamento na região, com países vizinhos como a Coreia do Sul e o Japão a reavaliarem as suas posturas de defesa. Para a comunidade internacional, o avanço de Pyongyang representa um desafio direto ao regime de não proliferação nuclear, minando décadas de esforços diplomáticos para conter a disseminação de armas atómicas.
Perante este cenário, a comunidade internacional enfrenta opções limitadas e um caminho diplomático incerto. O diálogo sobre a desnuclearização encontra-se paralisado, e a Coreia do Norte já declarou que a sua posse de armas nucleares é irreversível. Espera-se que as novas revelações levem a um aumento da pressão internacional, com possíveis apelos a sanções mais rigorosas e a reuniões de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Contudo, a eficácia de tais medidas é incerta, dada a determinação da Coreia do Norte em prosseguir com o seu programa militar, que considera essencial para a segurança do regime. A situação é agravada pela recente realização de testes com mísseis de cruzeiro "estratégicos" por Pyongyang, o que sugere avanços também nos seus sistemas de entrega de armas.
Source: rfi_fr