Negociações Irão–EUA: delegação paquistanesa chega a Teerão
15 de abril de 2026
Uma delegação paquistanesa, liderada pelo chefe do exeÌrcito, chega esta quarta-feira, 15 de Abril, a Teerão para preparar uma segunda ronda de negociações entre Teerão e Washington, numa altura em que o Irão ameaça impedir qualquer atividade de importação e exportação no Golfo PeÌrsico, no mar de Omã e no mar Vermelho, caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio aos portos iranianos.
Uma delegação de alto nível do Paquistão chegou a Teerã nesta quarta-feira, em um esforço diplomático para mediar as negociações entre o Irã e os Estados Unidos. A comitiva, liderada pelo chefe do exército paquistanês, general Asim Munir, tem como principal objetivo preparar o terreno para uma nova rodada de diálogos destinada a resolver o impasse sobre o programa nuclear iraniano e aliviar as tensões que escalaram na região após semanas de conflito. A chegada da delegação ocorre em um momento crítico, alimentando esperanças de um avanço significativo após o fracasso das conversas diretas realizadas em Islamabad no último fim de semana.
Fontes diplomáticas indicam que a missão paquistanesa leva uma mensagem dos Estados Unidos para a liderança iraniana, em uma tentativa de construir pontes e encontrar um meio-termo. As conversas em Teerã sucedem negociações intensas que aconteceram na capital paquistanesa, o primeiro contato direto de alto nível entre Washington e Teerã em décadas, que terminaram sem um acordo. Apesar do revés, a disposição para continuar o diálogo por meio da intermediação de Islamabad permaneceu, com troca de mensagens entre as partes. O Paquistão, que mantém relações estratégicas tanto com os EUA quanto com o Irã, assumiu um papel central de mediador, impulsionado pela necessidade de estabilidade regional e pelo impacto econômico do conflito.
O principal obstáculo nas negociações continua a ser o programa de enriquecimento de urânio do Irã. Os Estados Unidos exigem um compromisso de longo prazo que impeça Teerã de desenvolver armas nucleares, propondo uma suspensão das atividades por até 20 anos. Em contrapartida, o Irã insiste em seu direito ao enriquecimento para fins pacíficos e condiciona qualquer concessão à suspensão das sanções econômicas que afetam o país. Discute-se uma solução intermediária para o impasse, incluindo a possibilidade de enviar o estoque de urânio enriquecido para um terceiro país ou reduzir seu nível de pureza.
A iniciativa paquistanesa ganhou força em meio a um frágil cessar-fogo de duas semanas, anunciado após um período de hostilidades que abalou a economia global, especialmente pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. Autoridades de Islamabad têm demonstrado otimismo, sugerindo que um "avanço importante" é possível. O sucesso desta mediação é visto como crucial para evitar a retomada de um conflito mais amplo no Oriente Médio, com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também engajado em um esforço diplomático regional.
Os próximos passos dependem da capacidade dos mediadores paquistaneses em convencer Teerã e Washington a cederem em pontos cruciais. A comunidade internacional observa atentamente, com a expectativa de que esta nova rodada de diplomacia indireta possa levar a um acordo duradouro que garanta a paz e a segurança na região. Embora um novo encontro formal entre as delegações americana e iraniana ainda não tenha data ou local definidos, a visita da comitiva paquistanesa a Teerã é um sinal claro de que os canais de comunicação permanecem abertos e que a busca por uma solução pacífica continua a ser a prioridade.
Source: rfi_fr