Turquia prende suspeitos e enfrenta protestos de professores apoÌs tiroteios em escolas
16 de abril de 2026
A poliÌcia turca anunciou nesta quinta-feira (16) que emitiu mandados de prisão contra dezenas de pessoas acusadas de perturbar a ordem puÌblica ao publicarem mensagens de apoio a dois tiroteios ocorridos recentemente em escolas do paiÌs. Enquanto isso, milhares de professores foram aÌ€s ruas para protestar contra o ministro da Educação.
A Turquia está a lidar com as repercussões de dois tiroteios em escolas que ocorreram em dias consecutivos, resultando na morte de várias pessoas e desencadeando uma onda de protestos por parte de professores em todo o país. As autoridades turcas responderam com a detenção de dezenas de indivíduos acusados de glorificar os ataques nas redes sociais, enquanto o governo enfrenta pressão para garantir a segurança nos estabelecimentos de ensino. A nação, onde tiroteios em massa são raros, encontra-se em estado de choque, a debater as causas da violência e as medidas necessárias para prevenir futuras tragédias.
A crise começou na terça-feira, 14 de abril, quando um ex-aluno de 19 anos abriu fogo numa escola profissional na província de Şanlıurfa, ferindo 16 pessoas antes de cometer suicídio. Menos de 48 horas depois, um incidente ainda mais mortífero abalou o país. Na quarta-feira, 15 de abril, um aluno de 14 anos, identificado como İsa Aras Mersinli, usou várias armas para atacar alunos e professores na sua escola no distrito de Onikişubat, na província de Kahramanmaraş. O ataque resultou na morte de nove pessoas, incluindo oito estudantes com idades entre 10 e 11 anos e um professor de 55 anos, e deixou outros 13 feridos. O atirador, que era filho de um ex-policial e usou as armas do pai, também morreu no local.
Na sequência dos ataques, as autoridades iniciaram uma vasta operação de segurança. Foram emitidos mandados de detenção para pelo menos 83 pessoas por publicações online que alegadamente faziam apologia dos crimes e dos seus autores. As investigações policiais sobre o atirador de 14 anos revelaram que ele poderá ter-se inspirado num ataque misógino ocorrido nos Estados Unidos em 2014, tendo usado uma imagem do autor desse massacre no seu perfil do WhatsApp. O pai do adolescente foi detido para interrogatório. O Presidente Recep Tayyip Erdoğan prometeu que qualquer pessoa responsável por negligência que tenha contribuído para os ataques será responsabilizada.
A resposta da comunidade educativa foi imediata e veemente. Sindicatos de professores convocaram uma greve nacional e manifestações em protesto contra a falta de segurança nas escolas. Na quinta-feira, 16 de abril, milhares de professores manifestaram-se em Ancara e noutras cidades, exigindo a demissão do Ministro da Educação e medidas concretas para proteger alunos e funcionários. Os manifestantes expressaram a sua dor e raiva, argumentando que a violência crescente é um sintoma de problemas sociais mais vastos e de falhas na segurança escolar.
Estes eventos chocaram a Turquia, um país com leis de controlo de armas consideradas rigorosas, que exigem licenciamento, verificações de antecedentes e impõem penas severas para a posse ilegal. Os tiroteios levantaram um debate nacional sobre a posse de armas, a saúde mental dos jovens e a segurança nos ambientes escolares. Espera-se que o governo anuncie novas medidas de segurança para as escolas em resposta à pressão pública e aos protestos dos professores. Enquanto as investigações continuam e o país chora as suas vítimas, os próximos passos das autoridades e do sistema educativo serão cruciais para restaurar a sensação de segurança e prevenir a repetição de tais atos de violência.
Source: rfi_fr