EUA e Hamas voltam às negociações diretas em meio a impasse no cessar-fogo com Israel

16 de abril de 2026

EUA e Hamas voltam às negociações diretas em meio a impasse no cessar-fogo com Israel

Washington insiste no desarmamento do grupo para avançar no acordo, mas combatentes afirmam que ataques de Israel em Gaza inviabilizam processo

Numa significativa mudança de abordagem diplomática, representantes dos Estados Unidos e do Hamas encontraram-se no Cairo para as primeiras conversas diretas desde o acordo de cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025. A reunião, que ocorreu na noite de terça-feira, 14 de abril, visa quebrar o impasse nas negociações para a implementação das fases subsequentes do acordo, que pôs fim a dois anos de guerra, mas não conseguiu estabilizar a Faixa de Gaza. A delegação americana, liderada pelo conselheiro sénior Aryeh Lightstone, sentou-se à mesa com a equipa do Hamas, chefiada pelo negociador Khalil al-Hayya, na capital do Egito, que tem servido como um mediador tradicional no conflito.

O contexto para este encontro direto é a crescente frustração com a paralisia do processo de paz. O acordo de cessar-fogo, embora oficialmente em vigor, tem sido repetidamente abalado por ataques contínuos. Fontes do Hamas afirmam que a principal barreira para avançar é a recusa de Israel em cumprir integralmente os compromissos da primeira fase, que incluem o fim dos ataques e a permissão para a entrada de mais ajuda humanitária. Por outro lado, Israel e os Estados Unidos insistem que qualquer progresso está condicionado ao desarmamento do Hamas, uma exigência que o grupo palestiniano considera desequilibrada e prematura, argumentando que as suas obrigações só podem ser cumpridas após Tel Aviv honrar os seus próprios compromissos.

As posições dos principais envolvidos refletem a profunda desconfiança mútua. A delegação do Hamas, liderada por al-Hayya, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato em setembro, reiterou no Cairo que a implementação total da fase um por parte de Israel é um pré-requisito para discutir os próximos passos. Os Estados Unidos, ao se envolverem diretamente, um passo que contorna a sua política tradicional de não negociar com o Hamas, procuram estabelecer as bases para a fase seguinte do acordo, que prevê o desarmamento do grupo, a retirada das tropas israelitas e o envio de uma força internacional para Gaza. Israel, embora ausente fisicamente destas conversas, comunicou a sua posição a Washington e justifica as suas ações militares como respostas a violações do acordo, mantendo o desarmamento como condição central.

O diálogo direto entre Washington e o Hamas ocorre com o conhecimento de mediadores regionais como o Egito e o Catar, que têm sido fundamentais em todas as etapas das negociações de tréguas e acordos no passado. Esta nova tática diplomática americana sinaliza a urgência em evitar um colapso total do cessar-fogo e um regresso à guerra aberta. Contudo, a iniciativa não está isenta de riscos, pois pode ser interpretada por alguns como uma legitimação do Hamas, enquanto outros a veem como um passo pragmático e necessário para desbloquear um processo de paz estagnado. A reunião no Cairo aconteceu poucos dias depois de Lightstone se ter encontrado com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para garantir o compromisso de Israel com o acordo, embora condicionado ao desarmamento.

Apesar da retomada das discussões, as negociações estagnaram rapidamente, com ambas as partes a manterem-se firmes nas suas posições. O Hamas recusa-se a entregar as armas enquanto Israel não cumprir as suas obrigações iniciais, e Israel não cessa as suas operações sem garantias sobre o desarmamento. O futuro imediato depende da capacidade dos mediadores, agora com o envolvimento direto dos EUA, de encontrarem uma fórmula que permita uma implementação sequencial e verificável dos compromissos de ambos os lados. Sem uma concessão significativa, a região permanece à beira de uma nova escalada de violência, com a população civil de Gaza a suportar o peso de um impasse político e militar prolongado.

Source: veja_abril_br

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The World Dispatch

Source: World News API