Todas as críticas ácidas de Lula contra Trump em entrevista franca ao ‘El País’
16 de abril de 2026
Brasileiro sugere que falta 'maturidade' ao presidente dos EUA, ao mesmo tempo em que rechaça ações unilaterais e a falta de respeito à soberania
Numa contundente entrevista ao jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que este não possui o direito de ameaçar nações unilateralmente. As declarações, que rapidamente repercutiram na imprensa internacional, elevam o tom do Brasil no cenário diplomático e sinalizam um período de crescente tensão entre os dois líderes. Lula questionou a postura de Trump, sugerindo que o poderio militar e econômico americano não lhe confere autoridade para ditar as regras do jogo global sem respeito à soberania de outros países e às normas internacionais.
As críticas do presidente brasileiro foram diretas, focando em recentes ações e ameaças da Casa Branca. "O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país", declarou Lula, numa referência explícita às intervenções e retóricas agressivas de Washington em relação a países como Irã, Cuba e Venezuela. Para Lula, essa abordagem belicista, que pode levar a uma nova guerra mundial, é um "jogo muito errado" que, em última análise, cria problemas para os próprios Estados Unidos. O presidente brasileiro defendeu a necessidade de líderes com maior responsabilidade na manutenção da paz mundial.
O histórico de relacionamento entre Lula e Trump é complexo, marcado por uma desconfiança mútua inicial que evoluiu para uma cordialidade pragmática, embora pontuada por divergências. A entrevista ao El País surge num momento delicado, após a imposição de sobretaxas por parte de Washington a produtos brasileiros no ano anterior, medidas que foram parcialmente suspensas devido a pressões internas nos EUA e a uma decisão da Suprema Corte americana. Além disso, auxiliares dos dois governos têm se reunido para discutir investigações comerciais iniciadas pelos EUA contra o Brasil, abrangendo setores como o etanol e o sistema de pagamentos PIX.
No âmbito da política externa, Lula tem procurado posicionar o Brasil como um ator relevante na busca por soluções multilaterais, defendendo uma reforma no Conselho de Segurança da ONU para incluir novos membros permanentes. Ele argumenta que a falta de credibilidade de instituições internacionais acaba, paradoxalmente, por validar as críticas de líderes como Trump. Em suas falas, Lula contrapõe o autoritarismo à democracia, ressaltando a importância do diálogo e do respeito mútuo entre as nações para a resolução de conflitos e para a construção de uma ordem mundial mais equilibrada e pacífica.
As implicações destas declarações são vastas, podendo influenciar desde as negociações comerciais em andamento até o alinhamento político na América Latina. A postura firme de Lula pode fortalecer sua imagem como líder regional, mas também arrisca aprofundar o desalinhamento com a administração Trump, cujo primeiro mandato já indicava uma preferência por relações bilaterais baseadas em afinidades ideológicas. À medida que se aproximam as próximas eleições em ambos os países, o tom das críticas e a reação de Washington serão cruciais para definir os próximos passos de uma das mais importantes relações diplomáticas do hemisfério.
Source: veja_abril_br