Turquia prende mais de 160 apoÌs dois ataques a tiros consecutivos em escolas
16 de abril de 2026
Acusações vão desde a disseminação de informações falsas ateÌ a publicação de mensagens de apoio aos atiradores que mataram nove pessoas e feriram 29
As autoridades turcas detiveram mais de 160 pessoas em uma vasta operação nacional após dois ataques a tiros em escolas que chocaram o país em dias consecutivos. As prisões, anunciadas em 16 de abril, visaram indivíduos acusados de espalhar desinformação e de publicar mensagens de apoio aos atiradores nas redes sociais, segundo o ministro da Justiça, Akin Gurlek. Esta ação repressiva reflete a gravidade com que o governo está a tratar os incidentes, que são extremamente raros na Turquia, um país com leis rigorosas de controle de armas.
A onda de violência começou na terça-feira, 14 de abril, quando um ex-aluno de 19 anos abriu fogo em uma escola profissionalizante na província de Sanliurfa, no sudeste do país. Armado com um rifle, ele feriu pelo menos 16 pessoas, incluindo alunos e professores, antes de tirar a própria vida. Apenas um dia depois, uma tragédia ainda maior ocorreu na província de Kahramanmaraş, também no sudeste. Um estudante de 14 anos, cursando a oitava série, entrou em sua escola com cinco armas e sete carregadores que pertenciam a seu pai, um ex-policial. Ele disparou indiscriminadamente em duas salas de aula, matando nove pessoas — oito estudantes, com idades entre 10 e 11 anos, e um professor — e ferindo outras 13 antes de também cometer suicídio.
A investigação sobre o segundo e mais letal atirador revelou detalhes perturbadores sobre sua motivação. A polícia descobriu que o adolescente de 14 anos planejava o ataque e se inspirava em um massacre ocorrido nos Estados Unidos em 2014. Em seu perfil de WhatsApp, ele usava uma imagem de Elliot Rodger, que realizou um ataque misógino na Califórnia. As autoridades, no entanto, afirmaram que as investigações iniciais não estabeleceram qualquer ligação com grupos terroristas, tratando o caso como um ato isolado. O pai do atirador foi detido para interrogatório.
As consequências dos ataques repercutiram por toda a Turquia, gerando luto e revolta. Em resposta à violência, sindicatos de professores convocaram protestos, e milhares de educadores foram às ruas para exigir maior segurança nas escolas e criticar o ministro da Educação. O presidente Recep Tayyip Erdogan prometeu uma investigação completa, afirmando que qualquer pessoa considerada negligente ou culpada seria responsabilizada. Além das prisões, as autoridades bloquearam o acesso a centenas de contas de redes sociais e dezenas de grupos no aplicativo Telegram que, segundo elas, elogiavam os crimes e os criminosos.
Os acontecimentos desta semana iniciaram um debate nacional sobre a segurança escolar e a posse de armas, embora ilegais, no país. O parlamento turco está a considerar a criação de uma comissão para investigar os ataques e avaliar as falhas que permitiram que tais tragédias ocorressem. Enquanto o país lamenta as vítimas com funerais em massa, a principal preocupação das autoridades é prosseguir com os processos legais contra as dezenas de pessoas detidas por glorificar a violência online, em uma tentativa de impedir a radicalização e futuros ataques.
Source: veja_abril_br