Em meio a conflito com Trump, papa Leão XIV aponta ‘mundo devastado por tiranos’

16 de abril de 2026

Em meio a conflito com Trump, papa Leão XIV aponta ‘mundo devastado por tiranos’

Líder da Igreja Católica também criticou líderes que usam o nome de Deus para ganhos militares, políticos e econômicos

Numa declaração de forte impacto diplomático, o Papa Leão XIV afirmou que o mundo está a ser "devastado por um punhado de tiranos", numa crítica velada a líderes mundiais. A fala ocorreu esta quinta-feira, durante uma visita a Camarões, e foi amplamente interpretada como uma resposta às recentes tensões com o ex-presidente norte-americano Donald Trump. O pontífice condenou os governantes que investem fortunas em armamento e conflitos, enquanto recursos para a educação e a recuperação de sociedades são negligenciados. A declaração intensifica o atrito entre o Vaticano e o campo político de Trump, marcando um novo capítulo na crescente divergência entre os dois.

A atual crise tem vindo a escalar há semanas. Desde o início do seu pontificado em 2025, Leão XIV, o primeiro papa oriundo dos Estados Unidos, tem adotado uma postura crítica em relação à militarização global. As suas denúncias sobre uma "mentalidade belicista" e apelos por soluções diplomáticas, especialmente no que toca a tensões envolvendo o Irão, foram vistas pela administração de Trump como uma crítica direta à sua política externa. Em resposta, Trump utilizou as redes sociais para atacar o papa, descrevendo-o como "fraco" e um "desastre na política externa", gerando consternação e aprofundando a crise diplomática entre a Santa Sé e os Estados Unidos.

A escolha do nome papal "Leão" já sinalizava um pontificado voltado para a doutrina social e a intervenção em assuntos mundiais, seguindo a tradição de antecessores como Leão XIII, autor da encíclica *Rerum novarum* sobre a condição operária. Analistas sugerem que, ao assumir este nome, o cardeal norte-americano Robert Prevost pretendia marcar uma posição de firmeza doutrinal e diálogo com os desafios contemporâneos, uma postura que agora o coloca em rota de colisão direta com figuras do nacionalismo populista. A sua abordagem ecoa a do seu predecessor, o Papa Francisco, que também teve desentendimentos públicos com Trump sobre temas como imigração e alterações climáticas.

Durante a sua viagem por África, Leão XIV também criticou duramente os líderes que manipulam a religião para justificar objetivos militares e políticos. "Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira", afirmou o papa em Camarões. Esta mensagem foi percebida como uma alusão a certas retóricas políticas que invocam temas religiosos para legitimar ações de guerra, uma prática que o pontífice classificou como uma inversão de valores a ser rejeitada.

As implicações desta troca de acusações são vastas, afetando não apenas as relações diplomáticas formais, mas também a perceção do papel da Igreja Católica no cenário global. A firmeza do Papa Leão XIV sugere que o Vaticano não pretende recuar na sua defesa da paz e da justiça social, mesmo que isso signifique confrontar diretamente uma superpotência mundial. Os próximos passos dependerão da reação do campo de Trump e de outros líderes globais, mas o pontífice deixou claro que não teme as críticas e continuará a ser um "embaixador da paz e do Evangelho". Este episódio solidifica a posição de Leão XIV como uma voz moral proeminente e disposta a desafiar o poder político.

Source: veja_abril_br

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Source: World News API