LiÌbano e Israel negociam sem contacto directo
16 de abril de 2026
O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, agradeceu, esta quinta-feira, 16 de Abril, os “esforços” realizados pelo chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, com vista a um cessar-fogo entre os libaneses e Israel. No entanto, o Líbano não confirmou qualquer contacto directo com Israel.
Representantes do Líbano e de Israel estão envolvidos numa nova fase de negociações, um esforço diplomático complexo que acontece sem qualquer contacto direto entre as duas nações, que permanecem tecnicamente em estado de guerra. Estas conversas, mediadas principalmente pelos Estados Unidos, representam uma tentativa de diminuir as tensões numa das fronteiras mais voláteis do Médio Oriente. O formato das negociações segue um modelo já testado, em que mediadores se deslocam entre as delegações dos dois países, que se encontram no mesmo local, mas em salas separadas, para transmitir propostas e contrapropostas.
O histórico entre os dois países é marcado por décadas de conflito. Desde a fundação do Estado de Israel em 1948, as nações vizinhas nunca estabeleceram relações diplomáticas formais. O Líbano foi palco de múltiplas incursões e invasões israelitas, notavelmente em 1982 e 2006, e o sul do país foi ocupado por Israel durante 18 anos, até 2000. A presença de grupos armados, em particular o Hezbollah, apoiado pelo Irão, é um fator central e uma fonte constante de hostilidades na fronteira, que Israel considera uma ameaça existencial.
Apesar do estado de guerra, um precedente para o diálogo pragmático foi estabelecido em outubro de 2022. Naquela altura, com a mediação dos EUA, os dois países chegaram a um acordo histórico para delimitar a sua fronteira marítima. Esse pacto permitiu a ambos os países explorar campos de gás natural no Mediterrâneo, sendo um raro exemplo de sucesso diplomático. O acordo foi formalizado através da entrega de cartas separadas a mediadores americanos e das Nações Unidas, sem que as delegações israelita e libanesa interagissem diretamente.
As conversas atuais, que ganharam impulso em Washington, visam capitalizar esse precedente para abordar questões de segurança terrestre e um possível cessar-fogo mais duradouro. Os Estados Unidos, através do seu Secretário de Estado, têm desempenhado o papel de principal intermediário. Do lado israelita, o objetivo declarado é garantir a segurança da sua fronteira norte, o que, na sua perspetiva, implica necessariamente o desarmamento do Hezbollah. Para o Líbano, cujo governo enfrenta uma grave crise económica e não possui controlo total sobre o seu território, a prioridade é alcançar a estabilidade e evitar mais destruição.
O caminho para um acordo abrangente é incerto e complexo. A recusa do Líbano em negociar diretamente antes de um cessar-fogo com o Hezbollah e a exigência de Israel de desmantelar o grupo armado ilustram a enorme distância entre as posições. No entanto, a continuação das conversas indiretas é vista pela comunidade internacional como um passo essencial para gerir o conflito. Os próximos passos dependem da capacidade dos mediadores em encontrar um terreno comum entre duas nações divididas por décadas de inimizade, mas unidas pela necessidade de evitar uma nova guerra em grande escala.
Source: rfi_fr