Vídeo: secretário de Trump cita passagem bíblica falsa do filme ‘Pulp Fiction’ em culto
16 de abril de 2026
Fala do chefe do PentaÌgono reproduz monoÌlogo do personagem Jules Winnfield, interpretado por Samuel L. Jackson, antes de matar um bandido
Um vídeo que se tornou viral nas redes sociais mostra um secretário do governo de Donald Trump a cometer uma gaffe durante um culto no Pentágono, na quarta-feira, dia 15 de abril. No evento, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, recitou uma passagem que atribuiu ao livro bíblico de Ezequiel, mas que, na verdade, é uma citação largamente fictícia e popularizada pelo filme "Pulp Fiction", do realizador Quentin Tarantino. O momento gerou uma onda de comentários e críticas online, colocando a administração sob um escrutínio embaraçoso que mistura cultura pop, religião e política.
A passagem em questão é proferida no filme de 1994 pelo personagem Jules Winnfield, interpretado por Samuel L. Jackson, momentos antes de executar as suas vítimas. Embora o personagem afirme estar a citar Ezequiel 25:17, a maior parte do texto foi escrita para o guião do filme. O versículo real é consideravelmente mais curto e direto: "E executarei neles grandes vinganças, com castigos de furor, e saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver exercido a minha vingança sobre eles." A versão declamada por Hegseth, no entanto, foi a longa e dramatizada do filme, que fala sobre "o caminho do homem justo" e a "tirania dos homens maus".
O incidente ocorreu durante um culto de oração cristã no Pentágono, uma iniciativa mensal que reúne funcionários civis e militares. Hegseth introduziu a passagem afirmando que a tinha recebido de um militar envolvido numa recente missão de resgate no Irão. A aparente sinceridade com que proferiu as palavras, que na cultura popular estão indelevelmente ligadas a um assassino a soldo, foi rapidamente ridicularizada. Vídeos comparando o discurso do secretário com a cena do filme espalharam-se rapidamente, amplificando o erro e gerando debates sobre a competência e a autenticidade da fé professada por figuras políticas.
A repercussão colocou o governo numa posição delicada. Até ao momento, nem o secretário nem a Casa Branca emitiram um pedido de desculpas ou uma correção formal. Para os críticos da administração, o episódio é visto como mais um exemplo de uma suposta desconexão com a realidade e de uma apropriação superficial de símbolos religiosos para fins políticos. Por outro lado, o erro pode ser interpretado por alguns apoiantes como um lapso sem grande importância. A situação é particularmente sensível dada a importância do eleitorado evangélico para a base política de Trump, que pode ver o incidente tanto como um erro perdoável como um sinal de falta de genuinidade espiritual.
Este episódio destaca a intersecção cada vez mais frequente e, por vezes, bizarra entre a política, a religião e o entretenimento na era digital. Uma citação de um filme icónico, confundida com um texto sagrado e proferida por uma alta autoridade governamental, transforma-se instantaneamente num momento viral que domina o ciclo noticioso. Resta saber se o secretário Hegseth abordará o engano ou se a administração esperará que a rápida sucessão de notícias e a controvérsia da semana seguinte apaguem o embaraço da sua "pregação" inspirada em Hollywood.
Source: veja_abril_br