Presença de tubarão no litoral de SP é comum nesta época e não oferece risco, diz pesquisador

15 de abril de 2026

Presença de tubarão no litoral de SP é comum nesta época e não oferece risco, diz pesquisador

O avistamento de um tubarão de grande porte no litoral do Guarujá gerou repercussão nas redes sociais nos últimos dias, mas não há motivo para preocupação imediata, segundo o pesquisador Otto Bismarck Fazzano Gadig, da Unesp (Universidade Estadual Paulista (UNESP). Leia mais (04/15/2026 - 08h00)

O avistamento de tubarões no litoral de São Paulo, que gerou preocupação em banhistas após a circulação de vídeos nas redes sociais, é um fenômeno considerado normal e esperado para esta época do ano. Segundo pesquisadores da área, a presença desses animais, especialmente durante o verão e o início do outono, não representa um aumento no risco de incidentes e está ligada a ciclos naturais de reprodução. O recente registro de um tubarão-martelo em Guarujá, embora tenha causado alarde, ilustra uma situação que faz parte da dinâmica do ecossistema marinho local.

Especialistas como Otto Bismarck Gadig, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explicam que a costa paulista funciona como uma espécie de "berçário" para diversas espécies de tubarões. As águas mais rasas e ricas em nutrientes oferecem um ambiente seguro e com abundância de alimento para os filhotes, protegendo-os de predadores maiores. Espécies como o tubarão-martelo (Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena) utilizam a região para dar à luz, um comportamento que se intensifica nos meses mais quentes. Por isso, a aparição de indivíduos, inclusive de porte considerável, próximos às praias não é um fato extraordinário para os biólogos que monitoram a região.

O histórico de incidentes com tubarões em São Paulo é extremamente baixo, o que reforça a avaliação de que não há motivo para pânico. Dados oficiais apontam para cerca de 15 casos confirmados em um período de mais de 90 anos, um número muito inferior ao observado em outras partes do Brasil, como no litoral de Pernambuco. Os pesquisadores enfatizam que os seres humanos não fazem parte da cadeia alimentar dos tubarões que frequentam a costa paulista. A maioria das espécies encontradas na região é considerada inofensiva e os raros acidentes registrados são, em geral, interpretados como encontros acidentais e não ataques predatórios.

A percepção de que há mais tubarões próximos à orla atualmente está mais relacionada à tecnologia do que a um aumento real da população desses animais nas áreas de banho. A ampla disseminação de celulares com câmeras de alta resolução e o uso de drones fazem com que qualquer avistamento seja rapidamente documentado e compartilhado, gerando uma repercussão que não existia no passado. O que antes era uma observação pontual de pescadores ou mergulhadores hoje se torna um viral, criando a impressão de um fenômeno novo ou crescente, quando na verdade é um comportamento animal já conhecido pela ciência.

Diante disso, não há recomendação por parte de autoridades ou especialistas para a interdição de praias ou para a adoção de medidas de alerta especiais. A orientação para os banhistas é seguir as precauções gerais de segurança no mar, como evitar nadar sozinho, em horários de baixa visibilidade como o amanhecer e o entardecer, e não entrar na água com ferimentos que possam sangrar. A presença de predadores de topo, como os tubarões, é vista por biólogos como um indicador positivo da saúde do ecossistema marinho. Respeitar o espaço desses animais e manter a calma é a melhor forma de garantir uma convivência segura e harmoniosa.

Source: folha

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The World Dispatch

Source: World News API