Dados de contador encontrados na nuvem levaram PF à suspeita de lavagem liderada por MC Ryan

15 de abril de 2026

Dados de contador encontrados na nuvem levaram PF à suspeita de lavagem liderada por MC Ryan

A análise de dados extraídos de contas em nuvem do contador Rodrigo de Paula Morgado, que se apresenta como especialista em redução de impostos e com o apelido CEO do Jeep, foi determinante para que a PF ( Polícia Federal ) identificasse uma nova frente de apuração sobre a organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro ligada a apostas ilegais. Leia mais (04/15/2026 - 13h55)

A análise de dados armazenados em serviços de nuvem de um contador foi o ponto de partida para a Polícia Federal desvendar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que seria liderado pelo artista de funk MC Ryan SP. A investigação, batizada de Operação Narco Fluxo, aponta que o cantor, cujo nome de registro é Ryan Santana dos Santos, era o principal beneficiário de uma estrutura criminosa complexa montada para ocultar patrimônio e mesclar receitas legítimas com fundos de origem ilícita. O acesso aos arquivos digitais, autorizado pela Justiça, permitiu aos investigadores rastrear o caminho do dinheiro, revelando uma teia de transações suspeitas envolvendo múltiplos influenciadores e empresas.

A descoberta crucial veio da conta iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, apontado como o contador e operador-chave do grupo. Os arquivos, que incluíam comprovantes bancários, registros empresariais e conversas privadas, detalharam como o esquema supostamente funcionava. Segundo a apuração, empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento eram usadas para misturar dinheiro legal, proveniente de shows e contratos, com valores arrecadados em apostas ilegais e rifas digitais. A PF afirma que MC Ryan estruturou formas de blindar seu patrimônio, transferindo participações em empresas para familiares e "laranjas", com o auxílio de operadores financeiros como Morgado.

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em 15 de abril de 2026, com mais de 200 agentes cumprindo 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em nove unidades da federação, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Além de MC Ryan, preso em Bertioga, no litoral paulista, a ação resultou na detenção de outros nomes conhecidos, como o cantor MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, criador da página de mídia social Choquei. A investigação aponta que Oliveira atuava como um operador de mídia do esquema, recebendo pagamentos para divulgar conteúdos positivos sobre MC Ryan. As investigações suspeitam de uma movimentação financeira superior a R$ 1,6 bilhão.

Este caso é um desdobramento de investigações anteriores, como as operações Narco Bet e Narco Vela. As autoridades policiais afirmam que o grupo usava a grande visibilidade dos artistas e influenciadores como um "escudo de conformidade" para mascarar as movimentações financeiras e dar uma aparência de legalidade aos recursos. Há suspeitas de que o esquema também lavava dinheiro para facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), e lucros provenientes do tráfico de drogas. Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, dinheiro em espécie, joias e equipamentos eletrônicos.

Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os presos foram encaminhados para a sede da Polícia Federal e devem passar por audiências de custódia. A Justiça Federal da 5ª Vara de Santos (SP) determinou também o bloqueio de bens e o sequestro do patrimônio dos investigados para garantir um eventual ressarcimento. As defesas de MC Ryan e outros detidos afirmaram que ainda não tiveram acesso ao conteúdo do processo, que tramita em sigilo, e que se manifestarão nos autos para prestar os devidos esclarecimentos.

Source: folha

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The World Dispatch

Source: World News API