Belo Monte descumpre pela 2a vez ordem para apresentar plano de vazão do rio Xingu

16 de abril de 2026

Belo Monte descumpre pela 2a vez ordem para apresentar plano de vazão do rio Xingu

A Norte Energia, administradora da usina hidrelétrica de Belo Monte , descumpriu pela segunda vez a determinação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para apresentar um novo hidrograma de vazão da água do rio Xingu, no Pará. Leia mais (04/16/2026 - 09h00)

Pela segunda vez, a Norte Energia, empresa que administra a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, descumpriu a determinação do Ibama para a apresentação de um novo plano de gestão da vazão do rio Xingu. O prazo final para a entrega do documento, que já havia sido prorrogado, encerrou-se na última segunda-feira, 13 de abril, intensificando o impasse sobre os graves impactos socioambientais do empreendimento. A concessionária enviou um ofício ao órgão ambiental, mas não incluiu a proposta exigida, mantendo um conflito que opõe a geração de energia à sobrevivência do ecossistema e das comunidades locais.

O centro da disputa é o chamado hidrograma, o plano que define qual porcentagem da água do rio Xingu segue seu curso natural pelo trecho de cerca de 100 quilômetros conhecido como Volta Grande do Xingu, e qual volume é desviado para mover as turbinas da usina. O modelo atual, defendido pela empresa, resultou em uma drástica redução do fluxo de água, que em alguns períodos chegou a desviar mais de 80% da vazão do rio. Essa alteração profunda impede os ciclos naturais de inundação, essenciais para a reprodução dos peixes e para a subsistência de povos indígenas e comunidades ribeirinhas, que enfrentam o colapso da pesca e a degradação de seu modo de vida.

O histórico recente do conflito começou em setembro de 2025, quando o Ibama, com base em evidências do forte impacto ambiental, determinou formalmente que a Norte Energia apresentasse um novo hidrograma. O primeiro prazo venceu em janeiro deste ano, mas a empresa se recusou a cumprir a ordem, contestando a medida. Em sua defesa, a Norte Energia argumenta que qualquer alteração no hidrograma deve aguardar a conclusão de um processo que corre no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Mesmo com a prorrogação do prazo, a concessionária manteve sua posição e falhou novamente em apresentar uma nova proposta.

A questão expõe uma divisão dentro do próprio governo federal e envolve múltiplos atores. Enquanto o Ibama e o Ministério Público Federal (MPF) pressionam por uma revisão urgente das regras de vazão para mitigar os danos já comprovados, o Ministério de Minas e Energia tem articulado para ampliar sua influência sobre as decisões operacionais de Belo Monte. Essa movimentação é vista como uma tentativa de priorizar a segurança energética em detrimento das avaliações e condicionantes ambientais impostas pelo órgão licenciador. A Norte Energia, por sua vez, defende a manutenção do hidrograma atual e insiste na avaliação de dados de monitoramento que, segundo a empresa, ainda não foram considerados.

Com o segundo descumprimento da ordem, a expectativa se volta para as próximas ações do Ibama, que informou estar discutindo internamente os procedimentos a serem adotados. A recusa da Norte Energia em apresentar um plano que garanta uma vazão ecológica mínima prolonga o cenário de estresse hídrico e de incerteza para o futuro da Volta Grande do Xingu. A resolução do impasse depende agora de possíveis sanções administrativas, que podem incluir multas, e do desenrolar da batalha judicial que definirá o equilíbrio entre a produção de energia e a obrigação de garantir a vida no rio.

Source: folha

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The World Dispatch

Source: World News API