MinisteÌrio PuÌblico abre ação contra ex-delegado-geral por conduta no caso Orelha
16 de abril de 2026
O MinisteÌrio PuÌblico de Santa Catarina abriu uma ação contra o ex-delegado-geral da PoliÌcia Civil do estado, Ulisses Gabriel, por suspeita de improbidade administrativa em relação ao caso do cão Orelha , que morreu na praia Brava, em FlorianoÌpolis, no começo de janeiro. Leia mais (04/16/2026 - 14h56)
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou uma ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel. A ação, protocolada em 13 de abril de 2026, está relacionada à sua conduta durante a investigação do "caso Orelha", a morte de um cão comunitário que gerou grande comoção em Florianópolis no início do ano. O processo, que tramita em sigilo na 1ª Vara da Fazenda Pública da capital, também inclui um pedido de indenização por dano moral coletivo.
A investigação do MPSC, conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, foca em possíveis excessos e irregularidades cometidas por Gabriel enquanto chefiava a Polícia Civil. As apurações, que começaram com um procedimento preparatório em fevereiro e evoluíram para um inquérito civil em março, investigam suspeitas de abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e a suposta utilização do caso para promoção pessoal. Segundo representações que embasaram a ação, o ex-delegado-geral teria divulgado informações sigilosas e atribuído culpa a suspeitos antes da conclusão do processo, principalmente por meio de suas redes sociais, onde fez dezenas de publicações sobre o tema.
O "caso Orelha" refere-se à morte de um cão que vivia na Praia Brava e era cuidado por moradores locais. O animal foi encontrado ferido em 5 de janeiro de 2026 e não resistiu. A investigação policial apontou o envolvimento de adolescentes no crime, o que intensificou a repercussão nacional do caso. Durante esse período, a atuação de Ulisses Gabriel como porta-voz da instituição foi colocada sob escrutínio, culminando na atual ação do Ministério Público, que apontou "lacunas e inconsistências" no inquérito policial original e solicitou novas diligências.
Se condenado por improbidade administrativa, Ulisses Gabriel pode enfrentar sanções severas, como a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos por até 12 anos. A ação representa um passo significativo na apuração da responsabilidade de altas autoridades na condução de investigações de grande apelo popular. O ex-delegado-geral deixou o comando da Polícia Civil em março de 2026 para se dedicar à sua pré-candidatura a deputado estadual, o que adiciona uma camada política ao desenrolar do processo.
Em nota, Ulisses Gabriel afirmou ter recebido a notícia sobre a ação com "absoluta tranquilidade" e reafirmou seu compromisso com a legalidade. Ele expressou estranheza pelo fato de o processo tramitar em sigilo e, mesmo assim, ter sido divulgado publicamente antes de sua notificação formal. O ex-delegado-geral declarou que só se manifestará tecnicamente nos autos após ter acesso integral ao conteúdo do processo, mas defendeu que sua atuação no caso se limitou à função institucional de porta-voz da Polícia Civil.
Source: folha